Atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o jornalista Ricardo Cappelli (PSB) foi, durante 23 dias, interventor de Segurança Pública do Distrito Federal. Autor do livro O 8 de Janeiro que o Brasil não viu, em que conta os bastidores de um dos episódios mais controversos da história brasileira, ele afirma não ter dúvidas de que o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá ser condenado e preso.
“Na minha opinião, há indícios suficientes para que o ex-presidente Bolsonaro seja condenado. Tem que aguardar a decisão da Justiça, há o devido processo legal, ele vai ter direito a apresentar sua defesa e oferecer o contraditório. Agora, na minha opinião, pelo conhecimento que tenho, há elementos de sobra para a sua condenação”, avaliou em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado por Magno Martins.
Cappelli também disparou contra a postura dos filhos de Bolsonaro, em especial o deputado federal Eduardo Bolsonaro, no episódio do tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Quando vi aquele vídeo do Eduardo Bolsonaro, a impressão que tive foi a de estar diante de um bandido, de um sequestrador. Porque ele falava ‘ou vocês fazem isso, ou vai piorar; ou me dão isso, ou vai piorar’. Isso é papo de bandido, de sequestrador. Uma situação lamentável, que demonstra que eles não têm compromisso com o Brasil. O compromisso deles é com a ambição política, uma ambição desmedida e nada razoável. É muito grave o que o Eduardo Bolsonaro fez, e eu espero sinceramente que a Câmara dos Deputados tome providências em relação ao mandato dele”, disparou.
Ainda sobre o tarifaço, Cappelli elogiou a condução brasileira nas negociações. “O Brasil tem conduzido bem, usando o binômio equilíbrio e firmeza: equilíbrio para que esse atrito não escale, e firmeza para defender a soberania nacional e o interesse das empresas e dos trabalhadores brasileiros. Acho que esse é o segredo. Porque nos interessa a paz, a harmonia com um parceiro comercial tão importante quanto os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo mantendo equilíbrio e firmeza”, destacou o presidente da ABDI.
Cappelli exaltou também o papel de seu correligionário, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nas negociações com os norte-americanos. “Alckmin é um homem público experiente, calejado e muito sábio. Tem conduzido esse processo com muito equilíbrio e pragmatismo, defendendo os interesses brasileiros e ouvindo as empresas do país. Não é porque o outro, Trump, agrediu que você deve responder no mesmo tom. Então, o vice-presidente tem sido peça-chave neste momento de turbulência com um parceiro comercial tão importante quanto os Estados Unidos”, colocou Cappelli, aproveitando para defender a permanência de Alckmin no cargo.
“O PSB defende a permanência de nosso querido vice-presidente Alckmin na chapa com o presidente Lula por dois motivos. Primeiro, porque em time que está ganhando não se mexe. Segundo, porque é impossível o presidente Lula encontrar um vice melhor que o doutor Geraldo Alckmin, pela sua lealdade e pela extraordinária capacidade de trabalho. Ele é um homem com capacidade de trabalho impressionante, um homem público exemplar, que nos inspira a todos”, observou.
8 de janeiro – Segundo o ex-interventor do Distrito Federal, “faltou comando” naquele domingo de 2023, responsabilidade que caberia ao governador Ibaneis Rocha (MDB), afastado do cargo e depois reconduzido. “O problema não foi das polícias. Não havia comando; não foi gerado um plano operacional, e sequer uma ordem de serviço, para aquele dia, o que é fora de padrão. O governador dizia que tudo estava sob controle, mas não estava. Ele (Ibaneis) foi, no mínimo, negligente por não ter comandado e liderado de perto tudo o que aconteceu. O que faltou ali foi comando, gestão e liderança para chegar, olhar o plano, ver que era insuficiente e mandar mais homens”, concluiu Cappelli.
Fonte: www.folhape.com.br